Destaques de Hoje

Ceará

Papa deixa dois cheques de R$ 60 mil para hospital e comunidade

Não foram só sentimentos bons deixados pelo Santo Padre em sua passagem pelo Rio. Na visita à comunidade da Varginha, na quinta-feira, no Complexo de Manguinhos, o Papa Francisco doou um cheque de 20 mil euros (R$ 60 mil) para a paróquia São Jerônimo Emilliani. A notícia foi dada nesta segunda-feira pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta.


Além da favela da Zona Norte da cidade, Sua Santidade entregou um segundo cheque no mesmo valor para o Hospital São Francisco da Penitência, na Tijuca, visitado por ele, na quarta-feira passada.


Segundo a instituição franciscana, o dinheiro será usado para montar uma sala de estabilização para atendimento de pacientes viciados em drogas. A unidade funcionará dentro do Polo de Atenção Integral à Saúde Mental, PAI – Papa Francisco, que será inaugurado até o final de agosto..

A unidade ocupará um prédio de quatro andares no complexo hospitalar e terá capacidade para atender 80 pacientes. Todos os leitos devem ficar prontos em dezembro. Na Varginha, a doação deverá ser usada em melhorias na favela, a serem decididas pelo pároco Márcio Queiroz, junto com os moradores da região.

Homossexuais não devem ser julgados ou marginalizados, diz Papa

O Papa Francisco disse nesta segunda-feira (29) que os homossexuais não devem ser "julgados ou marginalizados" e que devem ser integrados à sociedade.

Conversando com jornalistas a bordo do avião que o levou do Rio a Roma, Francisco também afirmou que, segundo o Catecismo da Igreja Católica, a orientação homossexual não é pecado, mas os atos, sim.

"Se uma pessoa é gay e procura Deus e a boa vontade divina, quem sou eu para julgá-la?", disse.

"O Catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem", disse. "Ele diz que eles não devem ser marginalizados por causa disso, mas que devem ser integrados à sociedade."

"O problema não é ter essa orientação. Devemos ser irmãos. O problema é fazer lobby por essa orientação, ou lobbies de pessoas invejosas, lobbies políticos, lobbies macônicos, tantos lobbies. Esse é o pior problema", disse.

As declarações foram feitas quando o Papa respondia a uma pergunta sobre o chamado lobby gay do Vaticano.

"Vocês veem muito escrito sobre o lobby gay. Eu ainda não vi ninguém no Vaticano com um documento de identidade dizendo que é gay", brincou.

Papa critica ‘pacificação’ de favelas e desigualdade e dá apoio a manifestantes

O papa Francisco atacou a estratégia de "pacificação" das favelas no Rio de Janeiro, alertando que, enquanto a desigualdade social não for resolvida, "não há paz duradoura". Nesta quinta-feira, 25, em plena Favela da Varginha, no Rio, ele fez um dos discursos de cunho social mais importantes de seu pontificado e convocou os jovens a continuar pressionando por melhorias, em um sinal de seu apoio aos manifestantes que tomaram as ruas do Brasil desde junho.

O papa ainda completou: a grandeza de uma nação só pode ser medida a partir de como ela trata seus pobres, numa referência indireta à insistência do governo de vender o Brasil como uma das maiores economias do mundo e, ao mesmo tempo, não dar uma solução às suas favelas.

Francisco chega a reconhecer os avanços sociais promovidos pelo governo. Mas alerta que isso ainda não é suficiente e que a pacificação de favelas, como a que ele visita, não pode ser feita com armas. "Quero encorajar os esforços que a sociedade brasileira tem feito para integrar todas as partes do seu corpo, incluindo as mais sofridas e necessitadas, através do combate à fome e à miséria", disse.

Pacificação. "Nenhum esforço de pacificação será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma", declarou ainda o papa durante o discurso. E alertou: "Uma sociedade assim simplesmente empobrece a si mesma, perde algo de essencial para si mesma."

O papa disse ainda que "somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade". "Tudo aquilo que se compartilha se multiplica. A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, que não tem outra coisa senão a sua pobreza."

Manifestações. Ele ainda manifestou seu apoio a todos aqueles no Brasil que lutam por mudanças sociais, em uma referência aos protestos que ganharam as ruas do País desde junho.

Atacando a corrupção e o fato de a periferia ser abandonada por políticos, o papa deixou claro que a Igreja vai apoiar o movimento mais amplo de exigências por melhorias. Fontes no Vaticano confirmaram ao Estado que essa foi a forma pela qual o papa optou por lançar seu recado aos manifestantes. A opção foi a de evitar a palavra "protestos", mas ainda assim fazer um apelo para que a pressão contra a classe dirigente continue.

"Aqui, como em todo o Brasil, há muitos jovens", disse. "Vocês possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio beneficio", declarou.

"Também para vocês e para todas as pessoas eu repito: nunca desanimem, não percam a confiança", insistiu. "A realidade pode mudar, o homem pode mudar."

Francisco ainda apelou à população que não se deixa "acostumar ao mal, mas a vencê-lo". O papa ainda garantiu: "Vocês não estão sozinhos, a Igreja está com vocês, o papa está com vocês".

Às autoridades, o apelo foi para que "trabalhem por um mundo mais justo". "Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo", disse. "Não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que regula nossa sociedade. Mas sim a cultura da solidariedade", insistiu.

Educação. O papa ainda aproveitou seu discurso na favela para voltar a defender alguns dos pilares do dogma da Igreja: a família e a vida, "que deve ser sempre tutelado e promovido".

O papa pediu uma educação de qualidade e com valores, e não apenas um sistema que tem como metas "uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucros".

Papa se diz contra a liberação das drogas e chama traficantes de mercadores da morte



Na visita ao Hospital São Francisco de Assis, na zona norte do Rio, o papa Francisco atacou nesta quarta-feira, 24, os projetos de liberalização das drogas na América Latina e acusou traficantes de serem os "mercadores da morte". Na primeira vez que fala publicamente sobre o problema das drogas desde o início de seu pontificado, o argentino deu as primeiras indicações de que, se seus gestos são novos e sua simpatia o transformou em um ícone global, ele não está disposto a mudar posições tradicionais da Igreja.

Papa se despede dos fiéis após inauguração de Pólo de Atenção Integral do Hospital São Francisco

A crítica à liberalização das drogas ocorreu enquanto visitava o hospital, que atende dependentes de drogas, e depois de se reunir com cinco pacientes.

"Não é deixando livre o uso de drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química", declarou. Países como o Uruguai já liberalizaram o consumo de maconha, enquanto outros na região avaliam propostas similares.

Para ele, a solução não vem da liberalização, mas de uma estratégia para "enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança ao futuro".

Na avaliação de vaticanistas, Francisco começa a revelar com esse discurso que, apesar de ser tido como reformador, adotará posturas tidas como conservadoras em diversos setores sociais e desafios.

Mas o papa não deixou também de atacar o narcotráfico. "São tantos os 'mercadores da morte' que seguem a lógica do poder e do dinheiro a todo custo", disse. "A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige da inteira sociedade um ato de coragem", insistiu.

Não é a primeira vez que um papa ataca de forma frontal os narcotraficantes. Em 2007, quando Bento XVI esteve no Brasil, ele alertou que essas pessoas teriam de enfrentar a Deus no juízo final.

Parábola. O papa Francisco ainda atacou o egoísmo da sociedade por não dar atenção suficiente aos dependentes de drogas. "Precisamos abraçar quem tem necessidade", disse. "Há tantas situações no Brasil e no mundo que reclamam a nossa atenção, cuidado, amor, como a luta contra a dependência química", declarou. "Frequentemente, porém, nas nossas sociedades, o que prevalece é o egoísmo", afirmou.

Francisco cita a parábola do Bom Samaritano, que fala de um homem atacado por assaltantes e deixado quase morto ao lado da estrada. "As pessoas passam, olham, mas não param. Indiferentes, seguem o seu caminho. Não é o problema deles".

O papa aponta para o centro de tratamento como exemplo do Bom Samaritano e lembra que São Francisco de Assis abriu mão de sua riqueza justamente depois que, quando jovem, abraçou um leproso.

"O jovem Francisco abandonou riquezas e comodidades do mundo para fazer-se pobre no meio dos pobres, entende que não são as coisas, o ter, os ídolos do mundo a verdadeira riqueza e que estes não dão a verdadeira alegria, mas sim seguir a Cristo e servir aos demais", disse. "Em cada irmão e irmã em dificuldades, abraçamos a carne sofredora de Cristo. Hoje, neste lugar de luta contra a dependência química, quero abraçar cada um de vocês".

Francisco garante que a Igreja está ao lado deles. Mas, na avaliação do papa, parte da responsabilidade em se recuperar é do próprio dependente. "Você é o protagonista da subida. Esta é a condição imprescindível. Você encontrará a mão estendida de quem quer lhe ajudar. Mas ninguém pode fazer a subida no seu lugar", declarou. "A travessia é longa e cansativa, mas olhem para frente. Não deixem que lhes roubem a esperança. Mas também digo: não roubemos a esperança, pelo contrário, tornemo-nos todos portadores de esperança."

Deputado cearense pede ao Papa Francisco reabilitação do Pe. Cícero

O deputado federal José Guimarães, líder do PT na Câmara, entregou nesta segunda-feira (22) ao Papa Francisco uma caixa contendo a imagem do Padre Cícero Romão Batista, acompanha de uma carta em que o deputado pede que o "santo popular" seja reabilitado pela Igreja Católica. O encontro do parlamentar com o Papa Francisco ocorreu no Palácio da Alvorada, em Brasília.

"Nessa carta eu solicito que a Igreja Católica faça uma reparação a um santo, a um padre, a um personagem que marcou a história de Juazeiro do Norte, do Cariri e do Nordeste. Nada justifica ainda hoje não ver esse reconhecimento por parte do Vaticano", diz o deputado. De acordo com o deputado, o Papa Francisco disse que ele poderia acompanhar o processo de reabilitação do religioso por meio da embaixada do Brasil, no Vaticano.

Punição
Em 1916, Padre Cícero Romão Batista teve suspenso o direito de celebrar missas e de ministrar os atos litúrgicos sob a acusação de desobediência e heresia pelo Papa Bento XV. Segundo relatos de católicos da região do Cariri, em 1889, durante uma missa celebrada pelo padre Cícero, a hóstia dada pelo sacerdote à religiosa Maria de Araújo se transformou em sangue na boca dela, o que é considerado pelos fiéis um milagre.

Comitiva erra trajeto e expõe Papa a tumulto no centro do Rio

Uma falha no esquema de segurança do papa Francisco permitiu que fiéis se aproximassem do carro que o levava pelas ruas do Rio de Janeiro e conseguissem tocá-lo na tarde desta segunda-feira. Em vez de seguir pela pista do meio da avenida Presidente Vargas, o comboio papal usou a pista latereal, onde estavam estacionados vários ônibus que tinham sido desviados da outra pista. O automóvel que levava o Papa, de vidros abertos, ficou preso entre os ônibus e centenas de fiéis. Foram 12 minutos para percorrer um trecho de 500 metros. "Foi um erro de pista, não se sabe se do batedor ou da prefeitura", disse o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, que afirmou ter sido um "alívio" não ter ocorrido nada com o Papa no percurso. As informações foram publicadas no jornal Folha de S. Paulo.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, reconheceu que o cerco ao carro do pontífice causou apreensão em sua comitiva, mas disse que o resultado acabou sendo "positivo". Após a confusão no trajeto, o secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório, disse que a prefeitura não sabia qual seria o trajeto que a Polícia Federal faria do aeroporto até a catedral. "Isso foi mantido em sigilo por questões de segurança". Em nota divulgada à noite, a PF afirmou que o trajeto tinha sido informado à prefeitura pela manhã. Mesmo com os problemas, a Secretaria Extraordinária de Grandes Eventos, órgão do Ministério da Justiça, que coordena a segurança do Papa durante sua visita ao País, avaliou como "positivos" os procedimentos de segurança.

Papa Francisco chega ao Brasil

O avião da Alitália com o papa Francisco pousou há pouco no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão - Antônio Carlos Jobim, o Galeão. A presidente Dilma Rousseff aguarda Francisco na Base Aérea do Galeão, onde ela desembarcou pouco depois das 15h20. Pela programação oficial, Francisco desembarcará pela porta de trás do avião e será recebido por Dilma e duas crianças com flores.

De acordo com o cerimonial, ele passará em revista duas filas de militares, que prestarão continência por ser chefe de Estado. Um coral de 40 jovens da Paróquia de Nossa Senhora da Paz fará pequena apresentação, cantando a música "Papa Francisco Abençoa", segundo o padre Omar Raposo, do Santuário Cristo Redentor.

Entre as autoridades, é prevista a presença do vice-presidente Michel Temer, dos presidentes do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e pelo menos seis ministros de Estado. O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) também está presente.

Scroll to top